A doença da saúde
11/09/2007
Por Carlos Brito, Contabilista
A questão da saúde é paradoxal, ao tempo que criam-se mais tributos para socorrer o sistema público de saúde, se recebe uma saúde cada vez mais doente.
É óbvio que sua estrutura está mutilada, fruto das políticas viciadas que de imediato desviam os recursos da saúde para outros setores. De pronto, os governos incompatibilizam os resultados publicados na mídia, sendo que as emergências dos hospitais públicos respondem pela distorção e encerra inquestionável que a situação é de total calamidade.
A seqüência de desacertos políticos faz com que população experimente as amargas filas de espera. A demora pelo atendimento traz sérios prejuízos à população, inclusive compromete sua qualidade de vida.
O domínio de grandes laboratórios mostra o quanto o Estado está ausente, tendo em vista que, se houvessem políticas sérias e eficazes, as pessoas não estariam nas mãos dos monopólios de medicamentos, também não seriam abortadas as condições decentes de trabalho dos profissionais da área, enfim, os médicos seriam respeitados. A falta de controle dos governos acentuou a força das indústrias farmacêuticas, sendo que essas maciçamente controlam o mercado. É deveras uma questão espinhosa porque a saúde é condição indispensável ao ser humano. Mas, se trata de uma questão puramente econômica, pois, a população está nas mãos das indústrias de medicamentos. Elas ditam o preço sobre a saúde do povo, em face da falta de uma política de medicamentos.
Do ponto de vista social a situação é calamitosa, a assistência recebida pelo SUS é dramática. O cidadão brasileiro, indivíduo cheio de direitos, não pode ficar doente; porquanto, dependendo do seu caso, poderá estar correndo risco de vida por depender do SUS. Por outro lado, se procurar assistência médica particular terá que desembolsar valores absurdos.
A distorção das políticas de planejamento contrapõe a intervenção do Estado no setor da saúde. Diante de tantos problemas e poucas soluções, vivenciamos um caos diário no SUS. Os efeitos negativos refletem na falta de médicos e medicamentos, hospitais sucateados, cortes na folha de pagamento, dentre outros.
A verdade é que os recursos da saúde nunca foram abundantes, muito pouco tratou-se a questão social da saúde. Entretanto, não seria justo ignorar que o Ministério da Saúde nos últimos anos vem esforçando-se para reorganizar a aplicação de recursos financeiros no setor, intensificando programas de combate às doenças transmissíveis; porém, o fantasma da corrupção somado à incompetência de alguns políticos seqüestraram valores altíssimos da saúde, tendo deixado a saúde brasileira pródiga do orçamento do governo.
Para que a saúde volte a ser sadia, o governo deve trabalhar essa delicada questão com responsabilidade, o que não ocorreu até o momento, tendo em vista que os usuários do SUS têm seus tratamentos interrompidos pela freqüente falta de recursos do sistema.

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