03/07/2006
Pensar é mais importante
Contratar pensadores é algo muito perigoso.
Por Paulo Ricardo Ferreira
Além de concordar, entendo que o ato de pensar nos habilita como candidatos para o aprender e conseguir desenvolvimento pessoal e organizacional.
O adulto que por muito tempo não pensa, certamente convive em grupos com características coercitivas, suas relações são por atos de poder e o pensar deve ser inibido ou extinto para a sobrevivência. O exercício para reverter esta situação é propiciar condições para que a pessoa tenha segurança, prazer e coragem de enfrentar o risco de pensar e influenciar no seu próprio caminho.
O ambiente propício para alguém pensar é aquele que permite a satisfação de vários níveis de necessidade. Este ambiente deve ser seguro, dar prazer em conviver, permitir reconhecer nossos limites, que possibilite amar o objeto pensado e que nos estimule a criar e inovar.
O maior obstáculo para o crescimento das pessoas é a organização que coloca seus colaboradores à sombra. São empresas marcadas por atos de poder, onde os colaboradores não têm direito de identificar sua participação nos resultados. As regras são criadas para satisfazer o chefe, as pessoas são tratadas desigualmente, não existem planos estratégicos, apenas as necessidades do chefe devem ser supridas. A tendência destas empresas é desaparecer juntamente com o dono, elas não permitem o desenvolvimento de equipes e a capacidade de aprendizagem desaparece tornando-se vulnerável a qualquer mudança no mercado.
Contratar pensadores é algo muito perigoso, eles exigem (muito) das chefias e podem encontrar alternativas que desenvolvam a empresa e esta pode ficar muito grande para a capacidade das chefias.
Observar aspectos formais é muito mais fácil que testar habilidades como a criatividade, inteligência intelectual e emocional. A busca é sempre por talentos, porém o despreparo de alguns empresários, principalmente gaúchos, que se preocupam excessivamente em não perder o comando ou não arriscar na contratação de profissionais que possuam condições de conhecer todos os processos da empresa, entendem que estes podem alterar as “coisas que sempre foram assim” ou passar os segredos para o concorrente e não conseguem perceber os benefícios.
Posso afirmar que os diretores e táticos (gerentes) devem ser pessoas que além do conhecimento técnico devem saber pensar e criar. Para pensar é preciso amar e se nossa empresa conservar pessoas com este talento, terão condições de influenciar nos caminhos e destino da organização, comprometendo-se na busca dos resultados.
Para ser competitiva, a empresa deve recrutar gestores com capacidade de solucionar problemas que não foram previstos nos manuais.Na sociedade atual, encontramos escassez de recursos, habilidades e bens, o que tornam as pessoas extremamente inseguras e são estimuladas a procurar segurança e a evitar situações de risco (emprego). Mas as empresa têm outras necessidades. Para que possam competir e sobreviver, necessitam de criatividade e capacidade de inovação de seus participantes.
Como conciliar esta situação e suprir estas necessidades? Exercitar o Pensar é o mais importante.
*Paulo Ricardo Silva Ferreira é administrador, doutorando em Ciências Empresariais pela Universidade de Leon/Espanha. Diretor Presidente da Fundação dos Administradores. Diretor da Eckart Consultorias.