Planejar: uma questão de sobrevivência
11/12/2009
Por Marcos Kayser
É comum apontarmos a falta de planejamento como sendo uma exclusividade dos governos. Mas se observarmos mais atentamente o setor privado, principalmente as micro e pequenas empresas, perceberemos carência de planejamento em alto grau. Será a falta de planejamento um problema brasileiro?
Planejar, em poucas palavras, significa estabelecer objetivos e projetar as vias para conquistá-los, com excelência. Pensar o que queremos, sem deixar de olhar para trás. Analisar as potencialidades inerentes e pontos vulneráveis, as ameaças e oportunidades externas. Apesar de todos os caminhos nos levarem a algum lugar, nem todos os caminhos nos levarão ao objetivo desejado. Os riscos de não se chegar aonde se quer são enormes se não avaliarmos e estabelecermos previamente o melhor caminho. Aqueles que sabem onde querem chegar e calculam os riscos por onde pretendem trilhar, elegem alguns indicadores para auxiliá-los a acompanhar se estão ou não se aproximando do destino que planejaram.
Isso é óbvio, mas ainda muitos agem sem uma análise mínima, que a sistematização muitas vezes possibilita, sem apontar e controlar indicadores. Escolhem por impulso, ou pela “teoria do achismo”, incorrendo, na maioria das vezes, em fracasso. Para a não adoção de uma sistematização, justificam que o plano está na cabeça do chefe, empresário ou prefeito, desprezando que restringir a um só compromete o compartilhamento de idéias e a adesão responsável.
Planejar dá trabalho e exige sacrifícios e dói pensar que o brasileiro é por natureza ou por cultura preguiçoso e, por isso, refuta o planejamento. Planejar exige tempo e disponibilidade, que não está sobrando, muito pelo contrário, não se tem. Numa visão otimista, se convencermos o exército da resistência de que planejamento traz ganho de tempo, talvez começaremos a dar os primeiros passos rumo a uma grande transformação. Ainda mais se pensarem que “tempo é dinheiro”. Fazer acreditar que planejar evita o desperdício é, certamente, um dos caminhos, afinal o tempo é uma das grandes ambições humanas. Fora as grandes confusões que a falta de planejamento pode causar. Imaginemos uma viagem de longa distância sem um plano mínimo. Ir até o aeroporto sem previamente ter planejado a compra da passagem. Não planejar aonde se hospedar, nem os lugares a visitar. O tempo se esgotará na resolução de problemas, restando pouco para o prazer da viagem. É evidente que planejar traz benefícios a todos. Pode até ser tema da saúde, transcendendo os centros de administração e gestão. Contudo, são minorias que elaboram seus planos, mas aqueles que o fazem confirmam sua enorme utilidade, não somente para crescer, mas para sobreviver. Planejar então, para quem introjeta a sua importância, é quase uma questão de sobrevivência, de vida e morte.
Marcos Kayser, filósofo do Vale do Paranhana e voluntário de diversas instituições e da Agenda 2020.

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