Para mudar nosso ânimo
27/08/2007

Por Inácio Knapp


Com tanta sujeira, imundície, anomalias e escândalos espalhados no Brasil, muita gente fica tentada a largar tudo.

Quem não está saturado de blá, blá, blá, de corrupção, de mentiras e do faz de conta? Você, por acaso, vive um momento assim? Pois faz algum tempo que descobri um antídoto para estas ocasiões. Quando estou querendo desanimar, desistir de vez, vou atrás de amostras, exemplos de empresas gaúchas com bala na agulha, que lutam incansavelmente para vencer.

São verdadeiras fontes de energia. Esses modelos chegam bem na hora. A história e a luta dessas empresas funcionam como puxões de orelha em quem, como eu, privilegiado, com boa saúde, pensa em se mandar. E o bom é que essas lições pipocam a toda hora e ajudam a segurar, a manter o ânimo e a seguir com o barco.

É só olhar para qualquer lado que temos espécimes de empresas de classe mundial em praticamente todos os setores, até mesmo em entidades e organizações. Eu não tenho quaisquer dúvidas que elas teriam um bom desempenho se instaladas em países de primeiro mundo, como aliás já acontece com a Gerdau. Alguns exemplos, assim de memória: PGQP, Parceiros Voluntários, Tramontina, Zaffari, Panvel, Ferramentas Gerais, Lojas Colombo, Renner, Hospital Moinhos de Vento, Marcopolo, RBS, Avipal, Aurora e Randon.

O mais recente exemplo de empresa gaúcha com muita bala na agulha surgiu em uma noite fria mas agradável, quando conheci um pouco mais da Miolo, através da sua Escola do Vinho. A Miolo já é uma vinícola de classe mundial, pois tem estrutura, valores, estratégia e visão. E prospera a passos largos e sólidos o que me enche de orgulho. A gente vibra com o sucesso de uma empresa daqui.

A Miolo cresce enquanto muita gente dorme. E pode-se constatar que ela está preocupada com o futuro quando percebe-se que ela está atenta aos mínimos detalhes de tudo que se relaciona com o seu negócio. O terroir, a qualidade das uvas, o plantio, a assessoria técnica, o processo, a marca, o rótulo, o turismo e a emoção pelo trabalho.

Do primeiro vinho lançado em 1994 - um merlot safra 1990, que na partida inicial teve 8 mil garrafas - em poucos anos a empresa evolui tão rápidamente que a família percebeu que precisaria montar um plano ordenado de expansão para garantir um crescimento sustentável. Um plano focado na qualidade. A paixão pela vitivinicultura e o desejo de levar mundo afora o vinho fino brasileiro inspirou a família Miolo a tomar a decisão de expandir o negócio. Inicia-se então em 1998 o Projeto Qualidade: é o Projeto de Expressão do Terroir Brasileiro, em tecnologia, em recursos humanos e no próprio consumidor. Pode-se dizer que esse foi o grande segredo da Miolo.

Quase ao mesmo tempo, inicia-se um contágio saudável no Vale dos Vinhedos, onde localiza-se a sede da Miolo: outras empresas também buscam aperfeiçoamento e os vinhos produzidos na região conquistam prêmios e alta qualidade. Hotéis, pousadas, restaurantes e spas são inaugurados. O Enoturismo consolida-se.

A Miolo é apenas um exemplo. Temos médias e pequenas empresas que com certeza se dariam bem em qualquer lugar do planeta, talvez até com melhor desempenho. Elas estão aí nos mostrando que mesmo com tantas adversidades é possível vencer.

Saúde!

 

Por Inácio Knapp


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